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Você sabe quando o hábito de beber pode se tornar alcoolismo?

18 de fevereiro é o Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo

18/02/2021 – A necessidade do isolamento social levou muitas pessoas a tentar se divertir em casa, sozinhas ou com a família. O consumo de álcool no período também aumentou. Segundo estudo realizado pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), pelo menos 43% das pessoas ouvidas em um levantamento on-line admitiram um alto consumo de álcool durante a pandemia do novo coronavírus. 

Mais de 23 mil pessoas de 33 países e dois territórios das Américas responderam às perguntas do questionário aplicado no ano passado. O Brasil foi um dos países com a maior participação no levantamento: 3.799 pessoas, o que corresponde a 30% do número total de participantes. 

A pesquisa realizada pela Opas diferencia o consumo leve do considerado pesado, que é quando uma pessoa bebe mais de 60 gramas de álcool puro (cerca de cinco doses de bebida), pelo menos, uma vez ao mês.

Na pesquisa “Suas Emoções em Tempos de Covid-19“, promovida em junho do ano passado no Tribunal Superior do Trabalho (TST), os servidores também relataram que aumentaram o consumo de bebidas alcoólicas desde o início do isolamento social. 

Segundo a psicóloga da Secretaria de Saúde do TST, Fabíola Izaias, estudos mostram que o consumo de álcool também ocorreu em outras epidemias vistas no mundo em outras épocas. “Esses momentos de crise favorecem o aparecimento de reações psicológicas, já que há uma diminuição das trocas sociais, de sair de casa e realizar outras atividades”, detalha.

Mas o que diferencia o alto consumo do álcool de um quadro de alcoolismo?

Dependência

No Brasil, o diagnóstico de alcoolismo pode ser realizado por qualquer profissional que atue na atenção básica de saúde, como assistentes sociais, enfermeiros, psicólogos e médicos.

De acordo com a servidora do TST Fabíola Izaias, vários fatores são levados em consideração para realizar o diagnóstico de alcoolismo de um paciente. O principal deles é entender a relação dessa pessoa com o álcool. “Nós avaliamos se a pessoa tem um desejo incontrolável de beber mesmo sabendo que a substância não traz benefícios à ela. Ou seja, ela já sabe dos malefícios, mas não consegue controlar quando parar de beber e como parar”, enfatiza.

As situações geradas a partir do momento que a pessoa está sob o efeito da bebida alcoólica também são levadas em consideração. A pessoa está em conflito com a família e amigos? Deixou de se interessar por hobbies ou outras atividades que não tenham álcool? Diminuiu a convivência com pessoas que não bebem ou reduziu seu círculo social aos amigos do bar?

Outros pontos levados em consideração para a realização do diagnóstico são o aumento da tolerância do corpo a quantidades cada vez maiores de álcool e a presença de sintomas da abstinência como desconforto, depressão e ansiedade. Nesses casos, é realizada uma avaliação clínica.

Caso os profissionais identifiquem a presença desses pontos de forma persistente por um período de 12 meses, o diagnóstico de alcoolismo é finalizado e a pessoa é encaminhada para tratamento.

Doença

O alcoolismo é considerado uma doença crônica, já que o indivíduo passa a consumir, cada vez mais, quantidades mais altas de álcool para ter as mesmas sensações e apresenta abstinência quando para de beber. Alguns médicos também acreditam que a doença tem traços genéticos, podendo passar de pai para filho.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), pelo menos 2,5 milhões de pessoas morrem todo ano no mundo por doenças decorrentes do consumo excessivo de álcool. Essa já é a terceira maior causa de mortes no planeta.

Tratamento

Para a psicóloga da Secretaria de Saúde do TST, o tratamento de uma pessoa que é dependente de álcool se torna mais eficiente se realizado de forma combinada. “Primeiro, é preciso saber se existe uma depressão ou ansiedade nesse quadro de alcoolismo e isso será avaliado por um psiquiatra. Caso necessário, haverá a prescrição de medicamentos aliada à terapia”, pontua. Os medicamentos também estimularão a aversão ao uso do álcool e ajudarão no processo de abstinência desse paciente.

Já a abordagem psicoterapêutica, de acordo com Fabíola Izaias, tem a função de realizar uma intervenção psicossocial na vida dessa pessoa. “É preciso fazê-la entender os motivos que a levaram a colocar o álcool como destaque do seu cotidiano. Ajudá-la a reconstruir as relações interpessoais e a encontrar outras estratégias para lidar com as frustrações e dificuldades da vida”, detalha.

Os grupos de apoio, como os Alcoólicos Anônimos, também auxiliam no tratamento e integram os familiares e os amigos nessa fase de reconstrução dos laços sociais e afetivos.

Peça ajuda!

Sentiu que o uso de álcool aumentou de forma considerável na sua vida nos últimos meses? A Secretaria de Saúde disponibiliza o e-mail saude.mental@tst.jus.br para auxiliar servidores neste momento de pandemia. “É um momento para redobrar os cuidados. Peça ajuda ao nosso serviço médico se você quer beber menos ou se acredita que o álcool está ocupando um espaço indevido na sua vida”, finaliza a psicóloga do TST.

(Juliane Sacerdote/TG)